Mais um ano, mais um aniversário de morte de Pe. Ladislau Klener. Em 2011 faz dezoito anos que ele partiu. A nós, católicos e admiradores desse grande homem de Deus, fica a saudade e a certeza de que um dia o reencontraremos na vida eterna, ao lado de Deus.
Abaixo, conheça a história de Pe. Ladislau, desde o dia em que ele chegou a Malhada de Pedras até a sua despedida para o céu.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Frases ditas pelos pregadores durante o 6º Cenáculo
- Pregador Ricardo
· “Vivemos o tempo dos testemunhos, do derramento do Espírito, mas também é tempo de tristeza, de angústia, de provação”.
· “O tempo da liberdade e da benção está mais próximo do que antes”.
· “Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, foi um guerreira. Buscou incessantemente a salvação de sua família”.
· “Quantas pessoas já não amaldiçoaram sua mãe, seu pai, seu filho, seu irmão e toda a sua família?”
· “Os olhos do Senhor estão sobre os justos. Seus ouvidos estão atentos a sua oração”. (1 Pd 3, 12)
· “Um homem de Deus não precisa de coisas velhas”. (referindo-se as bebidas alcoólicas)
· “O padre durante a Missa não bebe vinho, ele bebe o Sangue do Cordeiro”.
· “Se você quer libertar sua família alcoólatra, comece você a dar testemunho”.
· “Deus não brinca conosco. Ele não é mentiroso. Não dá pra ter um pé na Igreja e outro no centro de macumba. Se você quer ser de Deus, tem que ser por inteiro”.
· “Me perdoe as mulheres, mas parece que, hoje, a moda é quanto menos roupa melhor. Será que Deus se alegra com isso?
· “Deus não está buscando pessoas com remorso, mas pessoas arrependidas do pecado que estão vivendo”.
- Pregadora Sandra Mara
· “A mulher é submissa ao marido porque ela é sustento”. (Pe. Jonas Abib)
· “Nós estamos vendo, hoje, um povo muito fraco na oração”.
· “É necessário tomarmos posse da palavra que Deus deu para nós”.
· “Jesus é a cabeça da Igreja, nós somos o corpo e o Espírito Santo é a alma”.
· “Antes da oração que fazemos das 12h às 3h da madrugada, na Igreja, existiam em meu bairro, dois centros espíritas e duas casas de prostituição”.
· “Nunca se esqueça de orar por vocações e por seu padre. O seu pároco precisa”.
· “O Espírito Santo habita em nós desde o nosso batismo”.
· “Se você quer que seu filho saiba amar, ame. Se você quer que seu filho saiba perdoar, perdoe. Dê exemplo para ele”.
· “Quantas vezes você não foi a Missa por um capricho seu? Isso é pecado”.
· “Se você quer ter uma vida de fartura em sua casa, você tem que viver o que os santos viveram”.
· “Você só tem uma chance, não perca a única chance que você tem”.
Depoimentos de pessoas que participaram do 6º Cenáculo
“O Cenáculo, realmente, é uma dádiva de Deus. O que eu percebo no dia de hoje é que muitas pessoas foram tocadas. Ontem (11) hove uma certa preparação que mexeu com muitos corações e, hoje, tenho certeza que as pessoas que estão aqui não vão chegar nos lugares do mesmo modo que chegavam antes, porque foram pessoas renovadas, batizadas. O encontro veio comprovar ainda mais que Deus, realmente existe e que só Ele é quem pode renovar todas as pessoas. Para mim, a parte mais importante desse encontro foi a exposição de Jesus Eucarístico”.
Roseli, 22 anos, Ibitira.
“O encontro foi bom demais, uma benção. Eu já fui há vários lugares assim, mas para mim esse foi diferente. Tudo aqui é muito importante, mas é preciso prestar atenção, senão não adianta. Graças a Deus, vou sair daqui outra pessoa”.
João, 30 anos, Piripá.
“O encontro está sem comentário, bom demais. Para nossa paróquia é importante porque atrai bastante jovens e a juventude é que vai ser a nossa Igreja, futuramente. Atrai também as comunidades rurais, não só da paróquia, mas também de outros municípios. Na minha opinião, as pregações são muito importantes porque elas incentivam, principalmente, o testemunho”.
Vanessa, 17 anos, Comunidade de Lagoa Comprida – Malhada de Pedras.
Confira, na íntegra, as entrevistas realizadas pelos estudantes de jornalismo, Anderson Ferreira e Natália Silva, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) com os pregadores do VI Cenáculo:
Pe. Sátiro Bezerra do Prado Fernandes é Diretor Espiritual da Renovação Carismática Católica (RCC), da Diocese de Caetité. É também reitor do Seminário São José, de Caetité. Natural de Matina, no Sudoeste da Bahia, ordenou-se sacerdote em 19 de fevereiro de 2006. No último sábado (11/06) esteve no VI Cenáculo para presidir a Celebração da Santa Missa.
“O Cenáculo desperta no coração das pessoas o sentido de Deus”
(Pe. Sátiro)
Anderson Ferreira: Como o senhor vê a realização de encontros como o Cenáculo em nossa diocese?
Pe. Sátiro: Eu vejo como uma coisa muito positiva, porque desperta no coração das pessoas o sentido de Deus. Então é necessário que num mundo, como o de hoje, marcado por situações de violência, de desrespeito e de incredulidade, esse é um espaço interessante de formação para a paz, porque onde há esse espírito de Deus as pessoas vão sendo formadas para terem comportamentos melhores.
Anderson Ferreira: Como Diretor Espiritual da Renovação Carismática da Diocese da Caetité, qual a sua avaliação da presença da renovação em nossa diocese?
Pe. Sátiro: A RCC tem exercido um papel fundamental na Diocese de Caetité. Ao longo do tempo, tem dado sinais de muita maturidade, de crescimento e de ajuda. As paróquias onde tem RCC sempre têm mostrado muita alegria pela presença do grupo até porque os membros da RCC são cada vez mais estimulados a colaborar com o serviço da paróquia. Então, são aquelas pessoas que na “hora H” estão ali para ajudar, para atuar naquilo que for preciso, com muito amor. Tanto aqui em Malhada como também em Caetité e nas várias realidades onde agente tem informação, a RCC tem sido uma verdadeira benção para o serviço da nossa igreja.
Anderson Ferreira: O Cenáculo deste ano acontece junto a Festa de Pentecostes. O que essa festa representa para nós católicos?
Pe. Sátiro: Acredito que foi uma coisa interessante que aconteceu. O Cenáculo é justamente voltar àquela experiência apostólica em que os apóstolos estão reunidos na expectativa do Espírito Santo. E é o que a igreja está vivendo agora. Então, tem tudo a ver a realização do Cenáculo com a Festa de Pentecostes. Quer dizer um povo que não está desatento, mas que está vigilante, atento ao Deus que nos fala ao coração nos nossos tempos. E a Festa de Pentecostes significa para a Igreja um despertar. Que ela não haja somente por suas forças, mas que o próprio Deus venha acompanhando com seus passos pela história.
Natália Silva: Como já foi dito, o senhor é Diretor Espiritual da RCC da diocese. Qual é o seu trabalho dentro desse movimento?
Pe. Sátiro: O meu trabalho é de acompanhamento, em nome da igreja, com esse serviço que é a RCC. Porque cada pastoral, cada movimento da igreja tem sempre um padre que acompanha aquele serviço, aquela pastoral ou aquele movimento. Eu acompanho a Renovação Carismática para ajudar no discernimento, para não fugir daquilo que é orientação da Igreja e que é da vontade de Deus. Meu serviço específico de dá na reunião do conselho da Renovação Carismática que acontece em Caetité, onde se reuni todos os representantes da RCC das várias paróquias da diocese. É lá que se traçam as linhas mestras que deverá articular a unidade em toda a diocese, para que agente não fale várias línguas e haja confusão, mas que a caminhada da Renovação Carismática esteja dentro da caminhada da igreja na diocese, dentro da caminhada da igreja no Brasil.
Natália Silva: Qual a sua opinião a respeito das pessoas mais conservadoras de nossa igreja que tem certo receio pela RCC?
Pe. Sátiro: Eu acredito que todos na igreja são importantes. Os grupos, as pastorais, os movimentos eles são importantes por isso agente tem que sentar junto, dialogar, um aprender com o outro, por que a igreja ela não é uma uniformidade, ela é uma diversidade que depois se torna uma unidade, a partir do dialogo entre as pessoas. Que ninguém se feche, nem a renovação se feche a outro grupo nem outro grupo se feche a renovação, de dialogar e de descobrir o positivo, o bonito que tem em um e outro.
Natália Silva: Essa é a sua segunda vez em nossa cidade. Qual é a imagem que o senhor tem de nossa paróquia?
Pe. Sátiro: Desde quando eu cheguei uma coisa muito interessante aqui é o espírito de acolhida das pessoas. Fui acolhido de diversas maneiras e acho que o povo de Malhada já traz essa virtude de ser um povo acolhedor, isso é um sinal profundo de espiritualidade, de presença de Deus. Eu quero agradecer essa acolhida que eu tive aqui. Uma cidade também bonita limpa, organizada. Então parabenizo vocês e que vocês ajudem para essa cidade seja sempre mais uma cidade que preserva os valores de Deus.
Sandra Mara é missionária, natural de Medianeiras, da diocese de Foz do Iguaçu, Paraná. Integrante da Missão Raio da Misericórdia foi uma das pregadoras do VI Cenáculo.
“Nós temos que nos permite ter um encontro pessoal com Deus”.
(Sandra Mara)
Anderson Ferreira: Qual a importância de se realizar encontros como esse?
Sandra: O Cenáculo nos faz relembrar a memória do Espírito Santo, é muito importante reunir o povo, para que eles tenham uma experiência pessoal com Deus. Então todo encontro onde se fazer esse ajuntamento de pessoas é muito importante para a cidade, porque as pessoas estão reunidas aqui, eu não sei a quantidade, mas elas vão sair daqui e vão semear, vão levar como no dia de pentecostes. Eles estavam em pequenas quantidades, 120 pessoas reunidos em Pentecostes, nos fala a bíblia, e depois eles saíram dali e um deles, Pedro, na sua primeira pregação converteu três mil pessoas. Então, a experiência de Pedro, de partilhar com as pessoas que estavam ali, nos mostra uma obra na vida das pessoas naquela cidade. E essa cidade, Malhada de Pedras, também vai ter essa experiência, é o que nós esperamos. O objetivo do encontro é isso: pessoas que vem passam uma experiência e levam ao povo que não participaram.
Anderson Ferreira: E como viver o pentecostes nos dias de hoje?
Sandra: O Pentecostes ele vem com um grupo de pessoas que se reuni e pedi a presença viva do Espírito Santo e a experiência para povo. O irmão leva para o vizinho e também para quem ele tem um contato durante o dia, e aí isso vai espalhando a experiência e a cultura de pentecostes. Hoje a renovação carismática busca e tem como missão levar a cultura de pentecostes, uma cultura de amor que forma uma geração de amor. Essa é nossa missão de renovação.
Natália Silva: O que você diz sobre o trabalho da Renovação Carismática na Igreja?
Sandra: Eu vejo como diz João Paulo II, uma primavera. Aquilo que vem para florir, para alegrar, aquilo que vem para ser expressão do Espírito Santo. Ele gostaria que a igreja realmente vivesse todos os carismas e a renovação ela uma tem missão de fazer ter uma experiência dos carismas, como os apóstolos que viveram o pentecostes. Então, a renovação tem como missão de ser essa primavera, florir a Igreja.
Anderson Ferreira: O que você diria para as pessoas que não tiveram essa experiência com Deus, proposta pela renovação?
Sandra: Eu diria que é como um desafio, que venha experimentar, porque quanto mais agente se fecha e fica olhando de fora o que o outro está vivendo é você que está se privando de viver uma experiência de Deus já aqui na terra, porque encontros como esse são importantes para a família. A família vai sair daqui renovada. No decorrer do encontro vamos recebendo testemunhos das pessoas e elas vão partilhando conosco suas experiências. Elas tão entrando de uma forma e saindo de outra. Então nós queremos incentivar que aqui em Malhada de Pedras os que não fizeram um encontro este ano que venha no próximo ano, que vá ao grupo de oração e que participe da igreja. Eu acho que, às vezes, agente tem que se permite ter um encontro pessoal com Deus.
Natália Silva: Fale um pouco da sua missão dentro da renovação e para aquelas pessoas que querem seguir um trabalho como o seu.
Sandra: Ser missionária hoje, dentro da nossa igreja católica, é um desafio a ser travado, principalmente para nós leigos que temos família. Então temos que deixar a família para ir evangelizar. Há uma renuncia para isso. E a minha experiência pessoal de viver isso é algo que humanamente não tem palavras e é uma satisfação, é um privilégio. O Espírito Santo está suscitando, na Igreja, os leigos para serem missionários. A renovação ela tem sido um seleiro de missionários, leigos para a igreja, ela tem vivido um momento de muita maturidade, de formação e de conhecimento. E a vida missionária é para todos os cristãos viverem e não só para alguns. Todos nós temos que fazer a experiência de missão. Fomos criados para isso. Enquanto nós não vivermos essa experiência, nós vamos ter pessoas insatisfeitas. Nós precisamos levar, precisamos semear.
Ricardo dos Santos é fundador e coordenador-geral da Missão Apostólica Sagrada Face, de Guanambi. Está na Renovação Carismática Católica desde 1996 e, mais uma vez, foi um dos pregadores do Cenáculo.
“Esse é o nosso sonho: pregar Jesus e deixar que Ele seja pregado em nossa vida”.
(Ricardo Dos Santos)
Anderson Ferreira: Ricardo você já participou de todos ou quase todos os cenáculos. Fale um pouco desses encontros.
Ricardo: O Cenáculo, hoje, é uma grande realidade na nossa diocese. Este é o sexto cenáculo e este encontro tem feito grandes maravilhas na vida de muitas pessoas, não somente de Malhada de Pedras, mas da região que tem acompanhado o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto. Essas pessoas têm vivido na própria vida a grande evolução do amor de Deus, da bondade de Deus, da misericórdia de Deus. Então, é um evento de grande importância para paróquia, para diocese e para toda comunidade.
Anderson Ferreira: A igreja celebra neste domingo (12/06) a Festa de Pentecostes. Como viver o pentecostes nos dias atuais?
Ricardo: Pentecostes é uma realidade na Igreja. A Renovação Carismática Católica suscitou o pentecostes na Igreja. Então o pentecostes é para ser vivido em todos os grupos de oração. E deve também ser vivido em todos os dias da nossa vida, de manhã, à tarde e a noite. Não tem como viver o pentecostes somente uma vez por ano. É assim que deve ser a nossa vida, vivendo o pentecostes todos os dias para que nós consigamos alcançar o objetivo de Deus em nossa vida.
Natália Silva: Como você vê, hoje, a presença da Renovação Carismática na nossa Igreja?
Ricardo: A renovação Carismática, hoje, é a alegria da Igreja. Podemos dizer que a RCC vem trazer essa alegria, esse amor, essa restauração, essa força. Não que esteja faltando, mas que precisa ser vivida dentro da Igreja. Então a renovação ela veio fazer fluir isso novamente na Igreja.
Natália Silva: Em nossa Igreja ainda existem muitas pessoas que são muito conservadoras em relação à renovação carismática. O que você diria para essas pessoas?
Ricardo: Cada um tem seu jeito, sua maneira, seu estilo. Então, são pessoas que vivem Deus de uma forma maravilhosa, porém essas pessoas elas não merecem críticas, elas merecem, justamente, que vivam de acordo com as suas concepções. Nós vivemos de acordo com a nossa concepção, dentro da RCC. É por isso que a igreja é bonita. Porque ela tem essa diversidade. E essa diversidade faz com que a nossa igreja seja a melhor igreja da face da terra.
Natália Silva: Como é o seu trabalho dentro da renovação, quando começou?
Meu trabalho na igreja começou em agosto de 1996 a 1997. Graças a Deus eu conheci a RCC nessa data. Nesses treze, quatorze anos Deus tem feito maravilhas na minha vida. Logo depois de um ano e meio a dois anos Ele me levantou dentro da diocese pregando a palavra no Grupo de Oração Jesus te ama, depois no Grupo de Jovens Jesus te ama. Em seguida, nós tivemos o Ministério de Teatro Bom Pastor e depois, de uns cinco a seis anos, conseguimos trazer a realidade do coração de Deus para nossa vida, principalmente em Guanambi. A Missão Apostólica Sagrada Face da qual sou fundador e coordenador geral é uma realidade muito bonita dentro da diocese, através da qual muita gente tem conhecido nosso trabalho. Um trabalho sério, feito por mais de 30 pessoas consagradas a Jesus, consagradas a misericórdia do Senhor. E a tendência desse trabalho é crescer. Esse é o nosso sonho: pregar Jesus e deixar que Jesus seja pregado na nossa vida.
Anderson Ferreira: Fale um pouco do momento de adoração que tivemos nesta manhã (12), do significado que momentos como esse tem para nós católicos.
Ricardo: A adoração ela está sendo perdida em alguns instantes da nossa Igreja. Ela precisa ser resgatada, assim como a alegria que RCC está resgatando para a Igreja. Como pode um cristão viver sem adorar o Senhor? Eu fico imaginando o ser humano que passa o dia todo sem comer, sem tomar água. O corpo físico precisa da água do alimento e o corpo espiritual precisa adorar o Senhor. Porque nós iremos viver uma eternidade com Aquele que nos ama, que é Apaixonado por nós. Nós não podemos ter vergonha de expressar o nosso amor por Jesus. Nós não podemos ter receio de expressar o quanto nós O amamos, O adoramos. Então, a RCC, filhos e filhas da Igreja precisam resgatar a grande força da adoração. A adoração ela tem o poder, a graça de derrubar muitas barreiras, de quebrar muitas correntes. E é isso que nós precisamos resgatar hoje. A partir de hoje eu acredito que Malhada de Pedras vai viver, vai conviver com um povo adorador.
Anderson Ferreira: O que você diria para as pessoas que ainda não valorizam encontros como o Cenáculo?
Ricardo: Eu diria que sempre há uma oportunidade para essas pessoas de poder estar aqui junto com a gente. Mas se não pôde vir, não deu pra vir, tem o Grupo de Oração na terça, tem o Ministério Jovem, tem a Santa Missa. Então essas pessoas que não puderam estar aqui, elas precisam entrar no seu quarto, dobrar seu joelho e reconhecer que existe um Deus sobre a vida delas, sobre a família delas e que nada está perdido. Porque muitas pessoas acreditam que tudo está perdido, muitas vezes, não tem ânimo, não tem desejo, alegria de sair de casa para participar de um encontro como esse, porque perderam a esperança, a alegria, a motivação. Mas eu digo, hoje, em nome de Jesus, existe uma saída e a saída é Jesus. Só existe uma porta e a porta é Jesus.
VI Cenáculo é realizado em Malhada de Pedras
“O encontro foi um dos melhores já realizados”, afirma Ronaldo dos Santos
Por Anderson Ferreira e Natália Silva
Neste fim de semana aconteceu mais um Cenáculo em Malhada de Pedras. O maior evento católico da cidade é promovido pelo Grupo de Oração Sagrado Coração de Jesus, da Renovação Carismática Católica, e está na sua sexta edição. Realizado nos dias 11 e 12 de junho, no Ginásio de Esportes, o 6º Cenáculo teve a participação dos pregadores Sandra Mara, de Medianeiras, Paraná e de Ricardo dos Santos, da Missão Sagrada Face, de Guanambi, além da animação dos ministérios de música Sacrário do Amor, de Malhada de Pedras e Raio da Misericórdia, da Diocese de Foz do Iguaçu. Motivados pelo tema “Por Causa da Tua Palavra, lançaremos as rede”, os fiéis participaram de momentos de louvor, oração e adoração, como também de pregações e celebrações da Santa Missa. Além dos paroquianos da sede e zona rural de Malhada de Pedras, estiveram presentes também as cidades de Piripá, Ibitira, Brumado, Guajeru, Guanambi e o Povoado de Terra Vermelha.
Em 2011, o encontro, que cresce a cada ano, aconteceu junto a Festa de Pentecostes, realizada cinqüenta dias após a Páscoa. E não por acaso, a palavra que dá nome ao evento é, justamente, o local onde aconteceu, segundo a bíblia, o dia de pentecostes. De acordo com o Pe. Sátiro Bezerra, Diretor Espiritual da RCC na Diocese de Caetité e reitor do Seminário São José, de Caetité, "viver o Cenáculo é voltar àquela experiência apostólica em que os apóstolos estão reunidos na expectativa do Espírito Santo”. Para o sacerdote, a Festa de Pentecostes é para a Igreja um despertar. “Que ela (igreja) não haja somente por suas forças, mas que o próprio Deus venha acompanhando com seus passos pela história”.
O pregador Ricardo disse que o Cenáculo é uma grande realidade na diocese. “Este é o sexto cenáculo e este encontro tem feito grandes maravilhas na vida de muitas pessoas, não somente de Malhada de Pedras, mas da região que também tem participado”, afirma. Para a missionária Sandra, o Cenáculo nos faz relembrar a memória do Espírito Santo e nos conduz a uma experiência pessoal com Deus. “Essa cidade vai ter essa experiência, é o que nós esperamos”, destacou.
Na noite de sábado (11), a celebração da Santa Missa foi presidida pelo Pe. Sátiro e co-celebrada pelo Pe. Isaías Afonso, pároco da cidade. Em seguida, os jovens do Povoado de Terra Vermelha, do Ministério Jovem, de Malhada de Pedras, e algumas crianças fizeram apresentações de dança e de teatro. A noite terminou com a apresentação do Ministério de Música Sacrário do Amor de Malhada de Pedras.
Um dos momentos marcantes do 6º Cenáculo foi à adoração ao Santíssimo Sacramento, na manhã de domingo (12). “Muita emoção, curas e bençãos para quem esteve presente no local”, relata Roseli, de 22 anos, da cidade de Ibitira. O pregador Ricardo também destacou a importância de momentos como esse: “A adoração ela tem o poder, a graça de derrubar muitas barreiras, de quebrar muitas correntes”. Mas, ainda segundo ele, a adoração está sendo perdida em alguns instantes da Igreja e, por isso, precisa ser resgatada.
O 6º Cenáculo foi um encontro de fé muito especial para as pessoas que participaram. “Foi bom demais, uma benção. Eu já fui há vários lugares assim, mas para mim esse foi diferente”, afirma João, de 30 anos, da cidade de Piripá.
A importância do evento foi ressaltada por Vanessa, de 17 anos, da Comunidade de Lagoa Comprida, de Malhada de Pedras. “Para nossa paróquia é importante porque atrai bastante jovens e a juventude é que vai ser a nossa Igreja, futuramente”.
O Pe. Isaías esteve presente durante todo o encontro e destacou: “Foi o Espírito Santo que nos conduziu, nos impulsionou, nos iluminou durante esses dias”.
O 6º Cenáculo foi encerrado, na tarde de domingo, com a Celebração da Santa Missa, presidida pelo Pe. Isaías. Conforme os organizadores, o evento superou as expectativas e foi um dos melhores já realizados. O coordenador do Grupo de Oração Sagrado Coração de Jesus, Ronaldo dos Santos, destacou a grande participação de pessoas da cidade. “Nem todas as paróquias da diocese estavam presentes, porque este ano nós trabalhamos mais direcionados as comunidades da paróquia. E elas responderam com as suas presenças. Foi maravilhoso, repleto de bênçãos”. O pároco da cidade agradeceu ao movimento carismático pela iniciativa. “Agradeço a Renovação Carismática de Malhada de Pedras que, com muito carinho, com muita boa vontade e disposição, amou, vamos dizer assim, essa missão e deu um grande exemplo de empenho para que pudesse acontecer esse nosso encontro. Que Deus possa iluminá-los e que eles sempre encontrem força e disposição para continuar essa missão que merece ser continuada”.
Para Ronaldo, as dificuldades para se realizar o encontro não foram barreiras difíceis de serem superadas. “Não foi fácil, mas muito gratificante. O cansaço não vai nos abater em nada”. E completou: “Espero que, no próximo ano, agente possa estar ainda com saúde para poder realizar esse evento que tem tanto testemunho a dar”.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Jornalismo Cívico: o receptor como cidadão, não como consumidor
Por Anderson Ferreira
Apesar dos avanços e conquistas, o jornalismo do século XXI ainda pode ser comparado a uma grande empresa de negócios, cujo objetivo é vender notícias. Com isso, o receptor é colocado na condição de mero consumidor de informações. Assim, numa sociedade que se diz democrática, vemos surgir um jornalismo cada vez mais distante da democracia. Para contestar ou, até mesmo, conter essa tendência, estudiosos da comunicação tem proposto um jornalismo de caráter cívico, o qual dá voz e vez ao cidadão e discute, com ênfase, os problemas sociais.
Desde que a democracia foi instaurada no Brasil, o jornalismo desempenhou, com exceção de alguns casos, um importante papel para que esse regime político fosse cumprido segundo as normas da lei. Os próprios jornalistas afirmam serem eles o cão de guarda da sociedade. No entanto, a função desse segmento, muitas vezes, tem se resumido as informações transmitidas ao receptor, as quais nem sempre são de interesse público. Neste caso, o leitor, ouvinte ou telespectador torna-se um mero espectador das mensagens midiáticas, já que nelas não podem intervir.
Aliado ao que foi exposto, o jornalismo deste século tem trabalhado a partir do discurso e da agenda das elites, esquecendo-se do cidadão comum, por vezes, excluído da sociedade. Nas mãos de políticos e das mais abastadas famílias deste país, a grande mídia não fala a linguagem popular, não discute os direitos dos cidadãos, nem debate os problemas sociais. A notícia, muitas vezes, é distorcida para favorecer interesses particulares e políticos, e até mesmo, para estimular as vendas ou aumentar a audiência. Disse, certa vez, o escritor e renomado jornalista, Alberto Dines: “A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, é cidadão. Jornalismo é serviço público, não é espetáculo”.
Em suma, é preciso fazer um jornalismo diferente. A sociedade urge por essa necessidade. Com o advento da internet, tem surgido um jornalismo mais próximo do cidadão. Além disso, vale ressaltar a reforma gráfica e editorial no tradicional Jornal do Commércio, de Recife (PE), o qual tem mostrado que o leitor não quer ser mais um mero consumidor de informações, mas quer estar junto à redação. Não obstante, os jornalistas precisam perceber que muito mais que informar, é necessário formar cidadãos e, assim, devem contribuir para a construção de uma sociedade mais democrática, onde diversos discursos tenham lugar. O jornalismo cívico é a saída.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Uma infração contra a Lei de Deus
Por Anderson Ferreira
Mais uma vez vemos acontecer, no Brasil, o desrespeito à doutrina cristã e à instituição mais sagrada desta terra, a família. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu nesta quinta-feira (05), por unanimidade, a união estável de homossexuais, o que garante aos mesmos os direitos semelhantes aos de pares heterossexuais, como pensões, aposentadorias e inclusão em planos de saúde. A decisão pode ainda facilitar a adoção.
A união de pessoas do mesmo sexo é condenada, com razão, pela igreja em todo o mundo, visto que a Bíblia Sagrada em Éfesios 5, 31 é bem clara ao dizer: "O homem deixará a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne". Portanto, a única união deixada por Deus deve se dar entre um homem e uma mulher.
O Catecismo da Igreja Católica, ao falar sobre a constituição da família, explica: "Ao criar o homem e a mulher, Deus instituiu a família humana e dotou-a de sua constituição fundamental". E completa: "Um homem e uma mulher unidos em casamento formam com seus filhos uma família".
Os favoráveis a lei apoiam-se no argumento de que o estado, sendo laico, não precisa ouvir a opinião de religiões. Verdade! O estado, realmente, é laico, mas precisa ouvir a opinião das religiões, porque estas transmitem aquilo que está escrito na Lei de Deus, ou seja, transmitem a verdade. E por ser tão laico, por não ouvir a Igreja, por não valorizar os princípios cristãos, por não defender a vida e a família, acima de tudo, é que a sociedade, o mundo vive à beira do abismo.
Além de não respeitar os princípios bíblicos, a lei que aprova a união homoafetiva é inconstitucional, pois a Constituição não reconhece a união de pessoas do mesmo sexo como uma entidade familiar. Para ser aprovada, antes teríamos que mudar a Constituinte.
Como cristãos digamos NÃO a nova lei.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Trabalho produzido pelos alunos: Anderson Ferreira, Paula Pereira, Luciana Oliveira, Daniela Viana, Rosy Lima, Ismar Gotado e Pedro Passos, a partir da entrevista coletiva com Camilo Aggio (UFBA)
Eleições em época de palanque digital
Especilista em comunicação e política revela os caminhos do marketing eleitoral

Camilo Aggio
Facebook, twitter, orkut, youtube e outros nomes bem conhecidos entre os internautas brasileiros transformaram-se em sensação nas últimas eleições. Com uma legislação eleitoral que deu mais liberdade para o uso da internet, as campanhas usaram e abusaram das ferramentas virtuais na tentativa de seduzir os eleitores.
Com o objetivo de entender melhor o assunto, a turma do segundo semestre de jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia recebeu o mestre em comunicação e profissional do Marketing eleitoral, Camilo Aggio, numa entrevista coletiva, dia 21 de agosto.
Segundo dados da internet Word Stats, o Brasil possui a maior população de internautas da América Latina e a quinta maior do mundo. São 72 milhões de brasileiros na rede mundial. Além disso, o país já ocupa o 2º lugar no ranking de twiteiros, com mais de 10 milhões de contas. Esses números impressionantes tendem a continuar expandindo.
Com um terreno tão fértil as campanhas não poderiam deixar de usar esses espaços no trabalho de convencimento e conquista de votos. Para Camilo, o uso da internet só traz benefícios para os cidadãos, que podem ter acesso a volume maior de informações sobre os candidatos. Segundo ele, até 2008, era legalmente permitida somente a utilização de websites.
Já esse ano com mais liberdade, candidatos com orçamento pequeno e espaço reduzido no horário eleitoral gratuito, conseguiram visibilidade a partir da internet. Esses fenômenos, conforme Aggio, forçaram uma mudança na postura dos grandes veículos de comunicação, que passaram a cobrir também essas campanhas.
Mas, se por um lado a internet facilita e amplia a divulgação dos candidatos e suas propostas, ela também guarda desafios e armadilhas. Para Camilo Aggio, todo cuidado é pouco. Conhecer as possibilidades da rede, como funcionam as ferramentas, preparar os conteúdos com acuidade e veicular sempre informações verdadeiras são alguns conselhos do profissional. Para isso ele ainda reforça o papel das assessorias de comunicação, estruturas capazes de formatar estratégias específicas para a internet.
Outros Gêneros Opinativos:
Caricatura
Imagem de opinião em forma satírica ou humorística, por meio da qual a opinião se manifesta de forma explícita.
JORGE, Thais de Mendonça. Manual do foca - guia de sobrevivência para jornalistas. São Paulo; Editora Contexto, 2008.

Charge
É uma ilustração cômica que satiriza de forma satírica os acontecimentos sociais e políticos.
Reinaldo Ferreira, chargista.

Fotografia
O fotógrafo expressa o seu olhar sobre o mundo.
Um exemplo de fotografia jornalística: Migrant Mother, de Dorothea Lange (1936).
domingo, 12 de dezembro de 2010
O que são as Cartas dos leitores?
Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção destinada às cartas do leitor. Ela é o espaço para o leitor elogiar ou criticar uma matéria publicada, ou fazer sugestões.
Os comentários podem referir-se às idéias de um texto, com os quais o leitor concorda ou não; a maneira como o assunto foi abordado; ou à qualidade do texto em si.
É possível fazer alusão a outras cartas de leitores, para concordar ou não com o ponto de vista expresso nelas.
Curso de apoio em redação. www.passeiweb.com
Exemplo de carta aos leitores, extraído do jornal O Globo e enviado pelo leitor Marcos de Luca Rothen, de Niterói, RJ:
Limites ao fumo
"Países desenvolvidos estão tentando limitar o fumo até no meio da rua, pois isso afeta os não fumantes. Mas no Rio de Janeiro nem as leis que proíbem o fumo em Shopping centers e supermercados (até nas seções de hortifruti) são respeitadas, obrigando quem não fuma ao convívio com essa poluição. Parte da responsabilidade da desobediência deve ser creditada aos donos dos estabelecimentos, que não orientam clientes e funcionários.
O que é uma Crônica?
É um dos mais antigos gêneros jornalísticos. No Brasil a crônica ganhou difusão a partir do Romantismo, com o desenvolvimento da imprensa.
O registro mais antigo de crônica escrita em nosso país é a Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, relatando a descoberta do Brasil.
É uma crônica no melhor dos estilos de testemunha ocular da história. Caminha ao escrevê-la, respeitou as técnicas da cronologia, com datas e horários, descrevendo passo a passo os acontecimentos. Por outro lado, ao mesmo tempo fez comentários, aconselhou, sugeriu, criticou.
Essa mistura de assuntos ou posições assumidas pelo cronista é bem típica de uma vertente da crônica atual. No Brasil, tivemos grandes figuras desse tipo de crônica, como: João do Rio, Álvaro Moreyra. E mais atualmente, Rubem Braga, Fernando Sabino, Carlos Heitor Cony, Nelson Rodrigues, Luís Fernando Veríssimo.
A crônica, a princípio, chamava-se folhetim, que era um artigo de rodapé escrito a propósito de assuntos do dia, fossem sociais, políticos, artísticos e literários. Com o passar do tempo, foi tornando um texto mais curto e se afastando da finalidade de informar e comentar, substituída pela intenção de apresentar os fatos do cotidiano de forma artística e pessoal. Sua linguagem tornou-se mais poética, ao mesmo tempo, ganhou gratuidade, em razão da ausência de vínculos com interesses práticos e com informações nas demais partes de um jornal.
A crônica é um gênero que oscila entre a literatura e o jornalismo. É o resultado da visão subjetiva do cronista ante a um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. Quase sempre explora o humor; às vezes, diz as coisas mais sérias por meio de uma aparente conversa fiada; outras vezes, despretensiosamente, faz poesia da coisa mais banal e insignificante.
Normalmente é um texto curto, geralmente, escrito para um jornal ou revista. É redigido em uma linguagem descontraída, coloquial, simples, muito próxima ao leitor.
A crônica apresenta poucas personagens e se inicia quando os fatos principais da narrativa estão por acontecer. Por essa razão, os espaços e o tempo da crônica são limitados: as ações ocorrem em um único espaço e o tempo não dura mais do que algumas horas. Pode ser escrita em 1ª ou 3ª pessoa. Isto é, o narrador pode participar dos fatos e refletir sobre eles como personagem ou ser observador daquilo que narra ou comenta. Há crônicas em que o narrador se ausenta: neste caso, todo o texto se estrutura no discurso direto de duas ou mais personagens.
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Classificação
1. Quanto a natureza do tema:
- Crônica geral ou coluna, seção;
- Crônica local ou de cidade;
- Crônica especializada ou comentário.
2. Quanto ao tratamento dado ao tema:
- Analítica;
- Sentimental;
- Satírico-humorístico.
Exemplo de crônica:
A crônica publicada abaixo tem como tema o relógio antigo da casa onde morou Rubem Braga, em Cachoeiro do Itapemirim, e que foi roubado recentemente da Casa dos Braga, museu mantido pela prefeitura local.
Conta-se na família que, quando meu pai comprou a nossa casa de Cachoeiro, esse relógio já estava na parede da sala; e que o vendedor o deixou lá, porque naquele tempo não ficava bem levar.
Hoje, meu Deus, carregam até uma lâmpada de 60 velas, até o bocal da lâmpada, e deixam aquele fio solto no ar.
Há poucas anos trouxe o relógio para minha casa de Ipanema. Mais velho do que eu, não é de admirar que ele tresande um pouco. Há uma corda para fazer andar os ponteiros, outra para fazer bater as horas. A primeira é forte, e faz o relógio se adiantar: de vez em quando alguém me chama a atenção, dizendo que o relógio está adiantado quinze ou vinte, minutos, e eu digo que é a hora de Cachoeiro. Em matéria de som vamos muito mais adiante. É comum o relógio marcar, digamos, duas e meia, e bater solenemente nove horas. "Esse relógio não diz coisa com coisa", comenta um, amigo severo. Explico que é uma pequena disfunção audiovisual.
Na verdade essa defasagem não me aborrece nada; há muito desanimei de querer as coisas deste mundo todas certinhas, e prefiro deixar que o velho relógio badale a seu bel-prazer. Sua batida e suave, como costumam ser a desses Ansonias antigos; e esse som me carrega para as noites mais antigas da infância. As vezes tenha a ilusão de ouvir, no fundo, o murmúrio distante e querido do Itapemirim.
Que outros sons me chegam da infância? Um cacarejar sonolento de galinhas numa tarde de verão; um canto de cambaxirra, o ranger e o baque de uma porteira na fazenda, um tropel de cavalos que vinha vindo e depois ia indo no fundo da noite. E o som distante dos bailes do Centro Operária, com um trombone de vara ou um pistom perdidos na madrugada.
Sim, sou um amante da música, ainda que desprezado e infeliz. Sou desafinado, desentoado, um amigo diz que tenho orelha de pau. Outro dia fiquei perplexo ouvindo uma discussão de jovens sobre um som que eu achava perfeito e eles acusavam de flutter, wow, rumble, hiss e outros males estranhos.
Meu amigo Mario Cabral dizia que queria morrer ouvindo Jesus, Alegria dos Homens; nunca soube se lhe fizeram a vontade. A mim, um lento ranger de porteira e seu baque final, como na fazenda do Frade, já me bastam. Ou então a batida desse velho relógio, que marcou a morte de meu pai e, vinte anos depois, a de minha mãe; e que eu morra às quatro e quarenta toda manhã, com ele marcando cinco e batendo onze, não faz mal; até é capaz de me cair bem.
Abril, 1977
O que é Artigo?
Segundo Thais de Mendonça Jorge no livro Manual do Foca, o artigo é um texto opinativo, redigido a partir de análises, observações e idéias, sem fazer necessariamente investigação jornalística de campo. É publicado com assinatura e depende de critérios editoriais. Existem articukistas fixos, contratados ou convidados pelo veículo, e leitores que oferecem colaboração.
JORGE, Thais de Mendonça. Manual do foca - guia de sobrevivência para jornalistas. São Paulo; Editora Contexto, 2008.
De acordo com o senso comum, artigo é todo texto divulgado na imprensa. Para as instituições jornalísticas, é um gênero específico, uma forma de expressão verbal. Trata-se de uma matéria jornalística onde alguém (jornalista ou não) desenvolve uma idéia e apresenta sua opinião.
Os artigos são produzidos por:
1) articulista: pessoa especializada em determinadas área (economia, política, etc.)
2) Comentarista: esporte, cultura, etc.
3) Cronista
4) Crítica especializada
5) Colaboradores convidados
No livro Gêneros Periodísticos, Martín Vivaldi Gonzalo diz que dois elementos são específicos ao artigo jornalístico:
· Atualidade – o articulista tem liberdade de conteúdo e de forma, mas ele deve tratar do fato ou idéia da atualidade, coadunando-se com o espírito do jornal.
· Opinião – a significação maior do gênero está contida no ponto e vista que alguém expõe. A opinião ali emitida vincula-se a assinatura do autor; o leitor a procura exatamente para saber como o articulista (geralmente personalidade destacada) pensa e reage diante da cena atual.
Estrutura do artigo
A estrutura do artigo é idêntica à do editorial. Compõe-se dos seguintes elementos:
- TÍTULO: poucas palavras, incisivo, expressando a linha ideológica adotada.
- INTRODUÇÃO: formulação da notícia ou idéia que deu origem à notícia.
- CORPO: formado por blocos feitos de retângulos, cada um deles autônomo, isto é, contendo lead, desenvolvimento e conclusão.
O corpo é o local em que se dá a discussão ou argumentação: interpretação, análise, debate dos diferentes aspectos do tema. Consiste em:
- expressar as implicações, confrontar o tema com outros semelhantes, manipulá-lo, desintegrá-lo;
- pensar não só como o editor, mas também como pensariam seus opositores;
- antecipar-se às críticas e destruir previamente as objeções que se fariam à opinião expressa.
Estilística
Para compor o artigo, seu autor dispõe de tempo suficiente para trabalhar bem o texto. Portanto, do autor exigem-se alguns dotes, como o “talento crítico e expositivo..., que não incorra nos vícios estilísticos, notadamente no lugar-comum ou na redundância...”. O texto deve ter estilo com as seguintes características:
6.1 TOPICALIDADE: Debater um único tema. Exprimir não só a opinião sedimentada, quanto aquela que está em formação.
6.2 CONDENSABILIDADE: Tratar uma idéia única central. O texto é curto. A linguagem, simples, direta, incisiva, cortante, enérgica e convincente. A marca dessa característica acha-se no espaço destinado ao texto, na fonte empregada, e na redação. Em relação a esta última: a) maior ênfase nas afirmações do que nas demonstrações; b) repetição regulada de idéias e conceitos, ou seja, a redundância deve ser relativa e subordinada sempre à existência de fatos novos. (BELTRÃO, L. 1980, p.54)
6.3 Há outras características – básicas –, fundamentais, portanto, a qualquer texto:
- Pontuação correta: é fundamental para aumentar o nível de compreensibilidade.
- Circunstâncias: uso de conjunções, preposições, advérbios, de modo adequado. Isso significa o uso de linguagem que bem caracteriza os enfoques, as circunstâncias: de causa-efeito, contraste, tempo-espaço, explicitação, enumeração, condição, etc. O emprego desses elementos sintáticos, porém, não deve ser excessivo. Uma regra básica para evitar o excesso é o emprego equilibrado entre a coordenação e a subordinação.
BELTRÃO, Luiz. Jornalismo opinativo. Porto Alegre: Sulina, 1980. p.64-66Janio de Freitas parte do pressuposto de que “nunca se escreve para todos os leitores, senão para um público pré-determinado, cujo nível já se conhece antecipadamente”. Por isso, dá a seguinte receita para a estrutura e o estilo do artigo:
a) ROTEIRO: Conter um roteiro de pensamento segundo a cabeça do leitor e não de acordo com o raciocínio do redator, de modo a conduzir o leitor à compreensão progressiva e entrosada das idéias. Este, segundo Janio, é o único meio de compreender o todo;
b) CLAREZA: Significa não conter “palavras e frases muito empoladas, muito pretensiosas”, retiradas do “sociologuês” e do “economês”, que são “termos e expressões inalcançáveis pelo leitor”. Isto não significa, porém, vocabulário pobre;
c) CONCISÃO: Consiste na limpeza do texto: expor mais idéias com menos palavras, com parágrafos curtos e textos pequenos. Não reduzir em demasia, porém, os parágrafos.
A concisão relaciona-se tanto com a clareza e a objetividade quanto com a estética: quando o leitor vê texto muito longo, evita-o.
Janio de Freitas conclui, admoestando: “Ao ser claro, não seja primário. Ao ser conciso, não seja telegráfico”.
FREITAS, Janio de. A Busca do texto ideal. In Revista de Comunicação, Ano 1, No. 2, p.14-15.
Exemplo de um artigo jornalístico:
Por Airton Luiz Mendonça
(Parte do Artigo do jornal 'Estado de São Paulo')
(Parte do Artigo do jornal 'Estado de São Paulo')
O Cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar
Conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no indice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É QUANDO VOCÊ SE SENTE MAIS VIVO.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e apagando' as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo. Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa... São apagados de sua noção de passagem do tempo...
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir, as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações... Enfim... As experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que vivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA
Não me entenda mal.
A rotina é essencial para a vida ela otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M e M (Mude e Marque).
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar Quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, FAÇA DIFERENTE.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. SEJA DIFERENTE.
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos..... Em outras palavras...... V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de Amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
E s CR E VA em
tAmaNhos diFeRenTes e em CorES
di f E rEn tEs !
CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVETE.....
V I V A !!!!!!!!
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